Entre ondas e trilhos: Explorando São Tomé e Príncipe

No Dia dos Namorados, NadarJuntos Embarcamos numa jornada inédita e apaixonante: o primeiro Swim Camp realizado em São Tomé e Príncipe. Ao longo desses dias, os nadadores vivenciaram uma aventura que transcende o esporte, unindo a paixão pela natação em águas abertas à descoberta de uma cultura e natureza autênticas e surpreendentes.

Dia 1 – Uma Chegada Transformadora

A partida de Lisboa foi marcada por uma manhã enevoada que só aumentou a expectativa para o início da viagem. Dentro do avião, enquanto aguardavam a autorização para decolar, o grupo teve a oportunidade de se conhecer melhor, compartilhando experiências, histórias e conexões que os acompanhariam ao longo de toda a jornada.

Ao chegar ao destino, ficou claro que São Tomé e Príncipe é um mundo à parte. Recebidos por uma dança tradicional, este arquipélago revela uma riqueza cultural e natural que cativa à primeira vista. Os habitantes locais, com sua hospitalidade e costumes profundamente enraizados, abriram portas e corações, convidando todos a desvendar os segredos de uma terra pouco explorada. As águas, com pureza e temperatura únicas, contrastavam com as paisagens de florestas exuberantes e praias de areia fina, criando um cenário simplesmente hipnotizante.

Dia 2 – Caminhe, Nade e Viva o Sonho

Conhecida como a terra de “leve-leve”Aqui, o tempo desacelera, não há preocupações e a natureza é generosa, oferecendo aos seus habitantes abundância de vida e sabor. Foi com esse sentimento que, ao amanhecer, o grupo de nadadores partiu de São Tomé rumo à ilha do Príncipe.

Recebidos por Wuilber, nosso guia, em um jipe de safári, o grupo seguiu para o ponto de partida da trilha, onde a verdadeira aventura começou. Em meio às densas florestas do Parque Natural do Príncipe, cada passo era acompanhado pelo canto de pássaros tropicais e pelo sussurro do vento entre as árvores centenárias. O destino? A deslumbrante “Cascata O Qué Pipi”. Ao chegarem, não resistiram a um mergulho nas águas refrescantes da cachoeira, um momento de pura conexão com a natureza antes de continuarem a jornada.

Em seguida, dirigiram-se para a paradisíaca Praia Bom Bom, onde um banquete inesquecível os aguardava. Frutas tropicais doces, peixe fresco e vegetais viçosos compunham a refeição perfeita para recarregar as energias, celebrando não só a viagem, mas também a riqueza e a generosidade da ilha.

Para encerrar este dia inesquecível da melhor maneira possível, o grupo finalmente mergulhou nas águas cristalinas do Atlântico. Com uma temperatura em torno de 30 graus e o pôr do sol pintando o horizonte de tons dourados, este era o cenário perfeito para um mergulho de aclimatação antes de retornar ao hotel.

Dia 3 – O Oásis do Atlântico

O terceiro dia começou com o café da manhã no Hotel Roça Sundy. Ocupando dois edifícios históricos cuidadosamente restaurados, que outrora faziam parte de uma das maiores plantações de cacau do arquipélago. No início do século XX, São Tomé e Príncipe era líder mundial na produção de cacau, sustentada por trabalho forçado. Após a independência, em 1975, a produção declinou significativamente e, hoje, as antigas plantações são fundamentais para a vida da comunidade local.

Atualmente, os visitantes de Roça Sundy podem mergulhar na rica história da ilha, apreciando a arquitetura colonial, aprendendo sobre o passado agrícola da região e participando de iniciativas que promovem a conservação ambiental.

Após um café da manhã que alimentou tanto a alma quanto a mente, o grupo embarcou em um passeio de barco ao longo da costa acidentada, com falésias em tons de cinza, cobertas por curiosas palmeiras, desembarcando na Baía das Agulhas, local escolhido para o mergulho do dia.

A tarde foi reservada para visitar o Miradouro O Quê Daniel e relaxar. Após mais um banquete, o grupo apreciou os últimos raios de um pôr do sol alaranjado antes de se preparar para mais um dia de aventuras.

Dia 4 – Explore a costa nordeste da Ilha do Príncipe

Ao nascer do sol, após o café da manhã, o grupo seguiu para a costa nordeste da ilha para nadar nas praias mais bonitas da região: Praia Boi, Praia Macaco e Praia Banana.

As águas transparentes que banham essas baías, cercadas por uma paisagem perfeita onde palmeiras gigantes se inclinam sobre o mar, são o habitat de tartarugas serenas que, curiosas, se aproximam para saudar os nadadores com sua presença.

Para tornar a experiência de natação ainda melhor nessas praias paradisíacas, os banhistas sempre tinham lanches disponíveis a bordo, incluindo uma variedade de frutas tropicais, amendoim torrado, bolos, água fresca, sucos de frutas naturais e, claro, fruta-pão, uma fruta típica famosa por seu sabor semelhante ao do pão quando cozida.

Após o almoço, com uma vista privilegiada da areia dourada banhada pelas águas cristalinas da Praia Bom Bom, o grupo embarcou num curto voo de 30 minutos de volta a São Tomé, ainda a tempo de dar um mergulho na piscina. Hotel Omali.

Dia 5 – Partida Sul: À descoberta da Praia Inhame

Ao nascer do sol, o grupo iniciou a longa jornada rumo ao sul. Após 3 horas de alguns solavancos na estrada de terra e comentários divertidos dos nadadores, eles finalmente chegaram a Hotel Praia Inhame.

Ao longo do caminho, pararam nos miradouros da “Boca do Inferno” e do “Pico do Cão Grande” para absorver a paisagem deslumbrante que São Tomé oferece.

Este dia foi marcado pelo primeiro contato genuíno com a realidade local, em Porto Alegre, onde foram convidados para almoçar com uma moradora local, Susana, que exemplificou lindamente a gentileza daquele povo.

Ao chegarem à Praia Inhame, o mar estava agitado, mas nada impediu este grupo, ansioso por relaxar após a longa viagem, de mergulhar nas águas mornas para um breve mergulho.

Ao pôr do sol, um momento transformador aconteceu: a soltura de 148 tartarugas marinhas. Comovidos com a experiência, o grupo não resistiu e voltou à água para proteger essas pequenas vidas dos grandes gaviões que aguardavam o momento perfeito para atacar.

Dia 6 – Visita ao Ilhéu das Rolas

Um novo dia, uma nova aventura!

Após um dia repleto de emoções e com o coração transbordando de alegria, o grupo seguiu de barco rumo à Praia da Vanha, na costa sudoeste da ilha, para enfrentar um percurso ainda mais desafiador, onde a natureza decidiu mostrar toda a sua força. Como recompensa, os nadadores foram surpreendidos por uma cena icônica e inesperada: durante a pausa para reabastecimento, avistaram uma árvore que, à distância, parecia preta, mas, ao se aproximarem, revelaram dezenas e dezenas de morcegos pendurados de cabeça para baixo, voando em círculos – uma cena digna de um episódio do programa "Vida Selvagem" da BBC!

Em seguida, almoçamos no Hotel Praia Inhame com vista para o mar, um momento para recuperar as energias antes de partirmos novamente, desta vez rumo a Ilhéu das Rolas, para visitar o famoso Marco do Equador, um monumento que marca o ponto onde a linha do Equador cruza a Terra, simbolizando a divisão do planeta em dois hemisférios: o Hemisfério Norte e o Hemisfério Sul (0° N / 0° S e longitude 0°). Ali, foi realizado um briefing para preparar os nadadores para o maior desafio da viagem: a travessia do Equador.

Já de noite, acomodados em seus quartos e prestes a descansar, foram alertados por um dos guias do nosso grupo, conhecido como Zuga, sobre uma tartaruga-mãe que estava fazendo seu ninho na praia. Sem perder a oportunidade de reviver esse momento inspirador, o grupo seguiu para a praia para terminar o dia da melhor maneira possível.

Dia 7 – A Conquista: Travessia da Linha do Equador

Os primeiros raios de sol aparecem e, com eles, o desejo de realização pessoal.

Na sétima manhã da viagem, começou a jornada icônica: a travessia da Linha do Equador. Ao longo de cerca de 3 km, o grupo se desafiou e conquistou essa travessia.

O espírito de camaradagem ajudou a acalmar o nervosismo que pairava no ar, pois estavam prestes a realizar algo que poucos tinham a oportunidade de vivenciar, com aplausos emocionados para a chegada de cada nadador. Desta vez, a natureza foi generosa, proporcionando condições excelentes para a conclusão desta travessia icônica. E como se soubessem da importância do momento, as tartarugas apareceram em peso. Grandes e pequenas, todas se juntaram à festa, tornando este dia o verdadeiro ponto alto da experiência!

O tempo mais rápido foi de 44 minutos e o mais longo, de 1h02 – uma marca alcançada pelo nosso nadador de 68 anos, um verdadeiro exemplo de determinação.

À tarde, o grupo abraçou o lema de São Tomé e Príncipe, entregando-se ao espírito do "leve-leve", num merecido momento de descanso e reflexão.

Durante o jantar de despedida, houve espaço para risos, histórias e, claro, muita emoção. Entre as palavras carinhosas dos nossos guias de natação e a entrega dos certificados de viagem, celebramos uma semana inesquecível!

Dia 8 – O Retorno

O último amanhecer em São Tomé trouxe consigo a chuva, como se a ilha estivesse se despedindo. Enquanto se preparavam para o mergulho final, alguns tiveram o privilégio de presenciar um momento especial: a soltura de 100 tartarugas marinhas.

Com o último mergulho concluído, era hora de seguir para o norte. A jornada foi longa – 70 km percorridos em cerca de três horas – mas com uma parada refrescante em uma cachoeira.

Após chegarem à Roça Agostinho Neto, o grupo fez uma entrega especial: material escolar que haviam trazido de seus países. Um presente repleto de gratidão e significado.

O almoço marcou o trecho final da viagem, mas ainda havia tempo para uma visita à chocolateria Diogo Vaz, onde os sabores intensos do cacau de São Tomé deixaram sua marca na memória (e na bagagem) de muitos.

Com as malas um pouco mais pesadas, era hora de voltar. O avião pousou em Lisboa, trazendo consigo um grupo unido por dias de aventura, desafios superados e memórias inesquecíveis. A saudade já começava a surgir – afinal, como não sentir falta de um lugar onde o tempo parece fluir de forma diferente?

São Tomé e Príncipe ficaram para trás, mas a experiência vivida permanecerá para sempre.

Memórias que ficam – Entrevista com Mónica Brenninkmeijer

 Ao chegar ao fim desta odisseia, é impossível não refletir sobre as memórias e os laços criados. Cada mergulho, cada caminhada, cada sorriso e cada descoberta deixaram uma marca profunda, uma marca que pode ser sentida no testemunho deixado pela nadadora Mónica, natural do Chipre.

Entrevista:

P: Pode nos contar um pouco sobre você e o que te motivou a participar deste acampamento de natação em São Tomé e Príncipe?

M: Comecei a nadar em águas abertas há um ano e queria ter uma experiência diferente, um desafio para mim mesma. Quando soube da viagem, pareceu-me perfeita, algo completamente novo e uma grande aventura.

P: Como esta é sua primeira experiência de natação em águas abertas, como você descreveria sua experiência geral até o momento?

M: Foi uma experiência incrível, uma aventura que jamais esquecerei.

P: Que emoções você sentiu durante essa jornada, desde a expectativa antes da viagem até suas experiências na água e durante a viagem?

M: Eu estava animada e nervosa ao mesmo tempo para essa viagem, sem conhecer a equipe, sem conhecer a ilha — mas assim que chegamos lá, tudo correu muito bem. A viagem foi muito bem organizada e nadar com pessoas muito, muito inspiradoras foi incrível. A equipe da SwimTogether organizou tudo tão bem que todos nós tivemos a melhor experiência possível.

P: Você poderia compartilhar suas impressões sobre a experiência de participar da soltura das tartarugas? Como você se sentiu?

M: Soltar a tartaruga foi um dos pontos altos desta viagem. Foi tão lindo poder vivenciar esse momento e fazer parte dele… algo realmente único. Sou muito grata por ter podido presenciar e participar desse momento incrível.

P: Como é nadar nessas águas quentes em comparação com suas experiências anteriores?

M: Nadar em água quente foi uma experiência incrível; gostei muito.

P: Quais são suas impressões sobre a cultura local e como você se conectou com a comunidade durante sua estadia?

M: Poder vivenciar e aprender com outras culturas é um dos principais motivos pelos quais gosto de viajar. Às vezes é uma experiência avassaladora, mas também nos faz valorizar ainda mais o que já temos.

P: Considerando que você conhecia poucas pessoas antes de entrar para este grupo, como fazer parte deste grupo diversificado de nadadores impactou você?

M: Sou muito grata pela equipe que me acompanhou nessa primeira experiência. Todos me inspiraram de maneiras diferentes, e o apoio deles durante a viagem significou muito para mim.

P: Qual foi o momento mais memorável do acampamento de natação?

M: É difícil destacar apenas um momento, porque houve tantos momentos incríveis... mas o momento em que todos entramos na água para soltar as tartaruguinhas me emocionou muito, foi muito bonito.

P: De que forma você acha que essa experiência está contribuindo para o seu crescimento, tanto como nadador quanto como pessoa?

M: Como nadadora, sinto-me mais confiante depois de conseguir nadar durante vários dias seguidos, completar cada percurso e encarar o desafio. A nível pessoal, isso mostrou-me o quão forte posso ser.

P: Por fim, você recomendaria este acampamento de natação e o SwimTogether para outros nadadores? E, em caso afirmativo, quais seriam os principais benefícios?

M: Eu recomendo muito essa viagem com a SwimTogether porque é super bem organizada. A gentileza e a energia do André e sua equipe, o apoio deles e toda a aventura foram absolutamente incríveis. E serei eternamente grata por ter aceitado participar dessa aventura.

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